Sobre continuar escrevendo
Às vezes, escrever é só pensar em voz baixa.

Andei meio sumido daqui.
Muito trabalho, projetos novos e, recentemente, até montei um guarda-roupa. Descobri que isso pode ser mais difícil do que o meu trabalho, mesmo com uma responsabilidade várias vezes menor.
Também coloquei meu portfólio e o blog no ar. Frontend, backend, deploy e tudo mais sem gastar um real até agora. Já escrevi dois textos, mas ainda não divulguei para ninguém.
Não por falta de vontade.
Acho que simplesmente não tenho tido muita energia sobrando para interações.
Tenho tentado cuidar um pouco mais de mim também. Prestar atenção na minha saúde física e mental, encontrar algum tempo para fazer coisas que não estejam relacionadas a trabalho e, principalmente, tentar não transformar todo o meu tempo em alguma coisa que precisa ser produtiva.
Nem sempre funciona.
Nesse processo, acabei percebendo uma coisa que talvez já estivesse bem na minha frente há bastante tempo: eu penso demais.
Penso em muita coisa ao mesmo tempo. Às vezes consigo conectar várias ideias na minha cabeça, mas quando preciso explicar alguma delas para outra pessoa, parece que tudo fica muito mais confuso.
Não necessariamente porque eu não saiba o que estou pensando. É mais porque tenho dificuldade de transformar tudo isso em palavras enquanto estou falando.
Escrever costuma ser mais fácil.
Posso parar, voltar, apagar uma frase, mudar uma palavra e perceber que talvez aquilo que eu estava tentando dizer não fosse exatamente aquilo.
Talvez seja uma das razões pelas quais comecei este blog.
Eu queria ter um lugar para escrever sobre programação, projetos, coisas que estou aprendendo, coisas que estou fazendo e também sobre pensamentos que não necessariamente cabem nesses assuntos.
Não quero que isso vire apenas mais um projeto que eu começo, acho interessante por algum tempo e depois esqueço.
Quero continuar escrevendo.
E, pensando nisso, comecei outro projeto pessoal.
Um diário.
A ideia é bem simples. Poder escrever o que aconteceu no meu dia, o que eu pensei sobre aquilo, como percebi determinada situação e o que senti. Sem precisar organizar tudo antes.
Depois, uma IA pode me ajudar a organizar essas informações.
Não quero que ela invente ou mude o que aconteceu. A ideia é justamente o contrário. Quero preservar o que eu escrevi e apenas conseguir estruturar melhor essas informações.
O que aconteceu.
Como eu enxerguei aquilo.
Como me senti.
Qual era o contexto.
E, com o tempo, conseguir relacionar essas coisas.
Talvez isso me ajude a entender alguns padrões que hoje passam despercebidos. Talvez seja útil para voltar a determinadas situações depois de alguns meses e enxergá-las de outra forma.
Ainda estou desenvolvendo isso e não sei exatamente no que vai se transformar.
Mas tem sido interessante usar no meu próprio dia a dia uma ferramenta que eu mesmo construí.
Acho que esse é um dos motivos pelos quais gosto tanto de desenvolver coisas.
Às vezes começa com uma ideia meio bagunçada, que parece difícil de explicar.
Depois vira algumas linhas de código.
E, em algum momento, aquilo passa a existir e começa a fazer parte da sua vida.
Talvez este blog esteja seguindo exatamente esse caminho.
Começou como uma ideia.
Agora só preciso continuar.
